Profissionais de saúde na assistência aos enlutados pela covid-19

por Dalva Yukie Matsumoto
Médica, diretora do Instituto Paliar

No atual tempo de pandemia da covid-19, nos deparamos com o sofrimento humano como um sentimento comum que tem afetado a todos, direta e indiretamente. Sofrem as pessoas contaminadas que desenvolvem a doença, estejam internadas ou não. Sofrem os amigos e parentes das pessoas que estão afastadas e sem possibilidade de presença solidária e acolhedora. Sofrem as equipes de assistência à saúde que se vêem impotentes diante da dor e da morte, mesmo porque também estão adoecendo e morrendo.

Estamos perdendo vidas, trabalho, condição social, poder aquisitivo, papéis e muitas vezes a nossa própria identidade. Todas essas perdas trazem sofrimento e luto. E é do luto que precisamos e pretendemos cuidar!

Quem pode e deve cuidar do luto? Todos nós, profissionais da assistência à saúde. Podemos achar que psicólogos e psiquiatras teriam mais ferramentas para essa tarefa, mas todos os profissionais da assistência à saúde podem ter conhecimento para acolher. Para isso precisamos desenvolver nossa empatia e habilidade de comunicação.

Nesse momento de solidariedade, a comunicação empática (a capacidade de ouvir a demanda do outro, validar o seu sofrimento, aceitar as suas reações – sejam elas boas ou ruins – e acolher sem julgamentos) é o que precisamos para ajudar a maioria das pessoas enlutadas. Somente alguns casos de luto complicado necessitarão de uma abordagem específica e especializada, mas estes são estatisticamente uma parcela muito pequena.

Na prática dos Cuidados Paliativos, a equipe multiprofissional deve ter uma atitude interdisciplinar e até transdisciplinar, quando cada um atua e responde diante do que o paciente ou familiar demanda e necessita. Todos cuidam dessas pessoas embasados no saber compartilhado pelos diferentes profissionais para atingir o objetivo comum de cuidar do sofrimento humano.

Desta forma podemos acolher e cuidar dos nossos enlutados, nos disponibilizando, reconhecendo nossas potencialidades e habilidades, nos colocando em prol dessas pessoas que necessitam tanto e tão intensamente da nossa ajuda. Podemos sair da nossa zona de conforto e buscar expandir nossos horizontes pessoais e profissionais. Eu os convido a engrossar nossas fileiras e juntos tentarmos construir um caminho mais solidário, compassivo e humano.

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